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No Brasil, a arte de escrever histórias curtas, praticamente, começou no século 19 com os escritores Machado de Assis, Aluísio Azevedo e Artur de Azevedo, que encontraram na tropical cultura brasileira ricos elementos para nortear toda a narrativa. Foram eles primeiros a se destacar no panorama brasileiro do conto, abrindo espaço para contistas como Monteiro Lobato, Vicente Guimarães, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Ruth Rocha, Lima Barreto, Otto Lara Resende, Lygia Fagundes Telles, José J. Veiga, Luiz Vilela, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca...
Do brasileiro Machado de
Assis, recebemos boa e primeira receita: ... O tamanho não é o
que faz mal a este gênero de histórias. É naturalmente a qualidade; mas há
sempre uma qualidade nos contos que os torna superiores aos grandes romances,
se uns e outros são medíocres: é serem curtos.
Para o
escritor norte-americano, Edgar Allan Poe, o conto é uma narração curta em prosa, que requer de meia hora a uma hora
e meia ou duas de leitura, no máximo. Portanto, pede forma simples,
mobilidade e linguagem fluída. O gênero é oposto ao romance, tendo a novela
intermediária entre os dois.
Júlio Cortázar foi mais longe. A partir de sua experiência como contista, o escritor argentino joga com uma abordagem mais atenta. No ensaio Alguns aspectos do Conto afiança que é preciso chegar à ideia viva do que é o conto. E isso é sempre difícil na medida em que as ideias tendem ao abstrato, a desvitalizar seu conteúdo, ao passo que a vida rejeita angustiada o laço que a conceituação quer lhe colocar para fixá-la e categorizá-la. Mas, se não possuirmos uma ideia viva do que é o conto, teremos perdido nosso tempo, pois um conto, em última instância, se desloca no plano humano em que a vida e a expressão escrita dessa vida travam uma batalha fraternal, se me permitem o termo; e o resultado desta batalha é o próprio conto, uma síntese viva e ao mesmo tempo uma vida sintetizada, algo como o tremor de água dentro de um cristal, a fugacidade numa permanência.
Tolstoi, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Garcia Lorca, Oscar Wilde, Shakespeare, Voltaire, Balzac, Flaubert, Roth, Pascal, Cioran, Tchekhov, Guy de Maupassant e outros, ao longo dos séculos, ajudaram a fixar o gênero literário conto na sua forma literária em diferentes correntes.
O
conto é uma das formas narrativas mais antigas. No que se referem às origens,
as histórias curtas remontam ao início da civilização de diferentes povos e
culturas, passando pelos gregos e romanos, que fortaleceram o hábito de
cultivar o conto como meio de contar fábulas, lendas e mitos entre eles. A
coletânea de poemas homéricos sobre a Guerra de Tróia e o posterior regresso do
herói Ulisses à terra natal, ou seja, A Ilíada e a Odisseia são
apontadas como iniciadores da tradição ocidental de contar histórias.
Considerações que levam
aspirantes a escritor, nos quatro cantos do mundo, aderir ao gênero com força total
para materializar sua criação literária. No conto o escritor se nutre de toda efervescência da ilimitada magia das ferramentas de linguagem,
seja que idioma for.
Welington Almeida Pinto
