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CHUVA?...
GRAÇAS A DEUS!
Catorze de dezembro de 2004, Brasil.
Belo Horizonte amanheceu ensolarada e o calor permaneceu até 11 horas, quando o
sol sumiu e o tempo virou. De repente, o céu escureceu. Nuvens
carregadas começaram a correr no espaço, trovões bufavam sem parar e relâmpagos
riscavam o infinito, com raiva. Vez ou outra uma ventania içava folhas secas e
pedaços de papel do chão fazendo tudo rodopiar no espaço.
Pela emissora de rádio, o instituto de meteorologia explicava:
um ciclone extratropical, em alto mar, passou a enviar ventos frios para
a região Sudeste do Brasil. A previsão para a tarde de hoje é de tempo
instável. Mínima de 19 graus, máxima de 22. Pode chover forte.
De
fato. Pouco antes das 14 horas, o tempo piorou. Outra fria e estúpida rajada de
vento varreu o centro da cidade, bagunçando mais ainda as saias, os penteados e
as gravatas das pessoas que estavam na rua. Os semáforos foram desligados. Apagados,
o engarrafamento de carros e ônibus aumentaram numa extensa fatia de rua.
Uma bagunça.
Medo
e correria nas calçadas. Pessoas e cães, com o rabo entre as pernas, corriam
para se abrigar debaixo das marquises dos imensos prédios.
Da
varanda do meu escritório, debruçado na janela envidraçada, eu assistia o
momento em que uma chuva grossa e nervosa despencava sobre a cidade. Foi assim
por mais de uma hora. O bastante para encher as ruas de uma enxurrada barrenta,
transbordante, tornando cada vez mais difícil enxergar o que era passeio. Ou o
que era rua, um caos.
Depois de muito estrago, a tempestade perdeu a força. Não cessou a precipitação, mas
estabeleceu uma toada cadenciada e perpendicular como se fosse chover a noite
toda.
Pouco
antes das cinco, para a surpresa de todos, a chuvinha miúda para de uma vez. O
sol reaparece. Desinibido, ele volta a espalhar luz por todos os
lados e o céu de verão perdeu a cor cinza de alumínio e se transformou em um
imenso azul.
Do alto do Edifício Malleta, antes de descer para a rua, passei
bom tempo a admirar alguns vasos de orquídeas dependurados na estreita e
poluída varanda de um prédio de apartamentos em frente. Lindas flores! A
folhagem revestida de um verde novo me enchia o olhar de clorofila e arte, bem
no meio de uma selva cada dia mais de pedra, completamente e urbanamente
urbana. Lembrei Tagore: a natureza, mesmo
agredida, produz flores.
Sinal dos tempos, cientificamente, modernos. Para minha surpresa
vivi um dia marcado por três estações: calor de verão pela manhã, chuva de
outono à tarde e sol fresco de primavera, raiando no final do expediente urbano.
Salve!
* FBN© 2004 * CHUVA.
GRAÇAS A DEUS!... - Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: crônica
estendida - Texto original em português: - Ilust.:
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