terça-feira, 8 de maio de 2012

A CHUVA?... GRAÇAS A DEUS!


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Imagem da Internet



CHUVA?... GRAÇAS A DEUS!

Catorze de dezembro de 2004, Brasil. Belo Horizonte amanheceu ensolarada e o calor permaneceu até 11 horas, quando o sol sumiu e o tempo virou. De repente, o céu escureceu. Nuvens carregadas começaram a correr no espaço, trovões bufavam sem parar e relâmpagos riscavam o infinito, com raiva. Vez ou outra uma ventania içava folhas secas e pedaços de papel do chão fazendo tudo rodopiar no espaço.

Pela emissora de rádio, o instituto de meteorologia explicava: um ciclone extratropical,  em alto mar, passou a enviar ventos frios para a região Sudeste do Brasil. A previsão para a tarde de hoje é de tempo instável. Mínima de 19 graus, máxima de 22. Pode chover forte.

De fato. Pouco antes das 14 horas, o tempo piorou. Outra fria e estúpida rajada de vento varreu o centro da cidade, bagunçando mais ainda as saias, os penteados e as gravatas das pessoas que estavam na rua. Os semáforos foram desligados. Apagados, o engarrafamento de carros e ônibus aumentaram numa extensa fatia de rua. Uma bagunça.

Medo e correria nas calçadas. Pessoas e cães, com o rabo entre as pernas, corriam para se abrigar debaixo das marquises dos imensos prédios.

Da varanda do meu escritório, debruçado na janela envidraçada, eu assistia o momento em que uma chuva grossa e nervosa despencava sobre a cidade. Foi assim por mais de uma hora. O bastante para encher as ruas de uma enxurrada barrenta, transbordante, tornando cada vez mais difícil enxergar o que era passeio. Ou o que era rua, um caos.

Depois de muito estrago, a tempestade perdeu a força. Não cessou a precipitação, mas estabeleceu uma toada cadenciada e perpendicular como se fosse chover a noite toda.

Pouco antes das cinco, para a surpresa de todos, a chuvinha miúda para de uma vez. O sol reaparece. Desinibido, ele volta a espalhar luz  por todos os lados e o céu de verão perdeu a cor cinza de alumínio e se transformou em um imenso azul.

Do alto do Edifício Malleta, antes de descer para a rua, passei bom tempo a admirar alguns vasos de orquídeas dependurados na estreita e poluída varanda de um prédio de  apartamentos em frente. Lindas flores! A folhagem revestida de um verde novo me enchia o olhar de clorofila e arte, bem no meio de uma selva cada dia mais de pedra, completamente e urbanamente urbana. Lembrei Tagore: a natureza, mesmo agredida, produz flores.

Sinal dos tempos, cientificamente, modernos. Para minha surpresa vivi um dia marcado por três estações: calor de verão pela manhã, chuva de outono à tarde e sol fresco de primavera, raiando no final do expediente urbano.

Salve!

 

* FBN© 2004 * CHUVA. GRAÇAS A DEUS!... - Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: crônica estendida - Texto original em português:  - Ilust.: Imagens Internet  Link: http://contosecronicasgerais.blogspot.com.br/2012/05/editar_2186.html