Welington Almeida Pinto
- Bom
dia.
- Bom
dia, doutor.
-
Xavier Joaquim José da Silva?
-
Sim.
-
Senta-se, por favor – pede o médico.
-
Obrigado.
-
Quantos anos você tem?
- 58.
-
Profissão?
-
Dentista de profissão. Cronista de vocação.
-
Casado?
-
Separado.
- Há
quanto tempo?
-
Quase um ano.
-
Quantos filhos?
-
Três. Todos adultos.
-
Como foi o processo de separação?
-
Meio..., meio..., meio traumático. Como quase toda separação matrimonial.
- E
agora?
- Os
filhos se aproximam aos poucos.
-
Fuma?
-
Não.
-
Bebe?
-
Pouco. Socialmente.
-
Toma algum remédio controlado?
- Enalapril.
- Que
dosagem?
-
Vinte miligramas.
-
Ótimo. Tem companheira estável?
-
Sim.
-
Qual a idade dela?
-
Pouco mais nova do que eu.
-
Ótimo. Apaixonados? – brinca o andrologista.
- Paixão
madura.
-
Isso é bom, a motivação torna mais consciente. É
mais definida, colorida e poetizada. Não é menor em magnitude, quase
silenciosa. Sabe o que faz.
-
Sim.
- Abraços
e beijos devem fazer parte de uma relação amorosa em qualquer idade.
- Claro.
-
Como a pele é o maior instrumento de conexão entre seres humanos, tudo que ela
manda ao cérebro ele percebe e passa a ter um sistema de recompensa mais ativo.
Entende?
-
Sim.
- Por
isso mesmo, abraçar e beijar nas preliminares nunca é demais...
-
Ã-hã!
-
Muito bem, muito bem, o que mais o preocupa?
-
Dificuldades em manter ereção.
- Há
quanto tempo?
- De
uns tempos para cá.
-
Nada fora do normal. A partir dos 50 anos, em muitos casos, ocorre a diminuição
da resposta sexual em homem e mulheres. Faz parte.
- Muito
cedo, não?
- Talvez. Bom saber que, quando esse órgão deixa de
funcionar bem, provavelmente, existe um fator físico por traz do problema. Para
a ciência o desempenho sexual de um indivíduo é bom termômetro para avaliar
como anda a saúde do homem.
- Sério?
- Cada dia, mais estudos sobre a sexualidade e seu
impacto em outras dimensões vitais do ser humano são apresentados pela
Organização Mundial de Saúde.
- Entendo. Meu caso, doutor?
- É o que vamos ver.
- Me
preocupa. Ainda sou daqueles que pensam que, entre duas almas de gêneros
diferentes, a ponte que liga a relação é um falo bem ativo.
- Não
é bem assim. Numa relação amorosa a ponte que liga pode e deve ser a do
companheirismo, do carinho e, principalmente, do amor amigo. Entende?
- Tem sentido.
-
Disfunção erétil, ejaculação precoce, dificuldade em segurar a liberação do
sêmem, representam 40% das queixas de homens entre vinte e quarenta anos.
- Como assim?
- Problemas vasculares são os primeiros sintomas que
levam a perda de qualidade de ereção ou ejaculação precoce. Portanto, tratar da
disfunção sem pesquisar suas causas pode camuflar questões mais sérias.
Entende?
-
Claro.
-
Primeira consulta com um Andrologista?
-
Sim.
-
Muito bem. Muito bem.
- Tem
a ver com o psicológico?
O
médico fecha o sorriso:
-
Cada caso é um caso. Fluoxetina, Paroxetina, Clrorimipramina, entre outros remédios
receitados contra depressão, que muitos urologistas indicam em doses menores
para tratamento de ejaculação precoce, eu não aconselho de imediato. Primeiro,
temos que investigar e avaliar bem o estado do paciente.
-
Sim.
- São
pílulas que provocam a diminuição da libido, aumentando o período entre a
excitação e a ejaculação para alguns minutos a mais de prazer.
- Ah,
é?
- Os efeitos colaterais são muitos. Entre eles secura
na boca, sonolência, insônia, tremores, náuseas, alucinações, oscilações do
humor, dor de cabeça, rinite, vermelhidão facial, azia e por aí vai. Se puder
evitar, melhor.
-
Vixe!
- Preocupe
não. Vamos fazer o melhor para recuperar seu bem-estar com medicamentos
específicos. Isto é, na dose certa.
Pausa.
Xavier com ar de ansiedade:
-
Viagra?
- Se for o caso, sim. Já fez uso de alguma droga
anti-impotência?
- Sim.
- E aí?
-
Tomo meio comprimido de cinquenta miligramas do azulzinho.
- E
aí?
- A
resposta é boa.
-
Ótimo. Nada de errado em um homem recorrer à química para melhorar seu
desempenho numa hora dessas. Não quero dizer que deva fazer uso da droga sem
acompanhamento de um clínico. Nunca.
-
Certo.
O
médico tira os óculos.
-
Cialis, Viagra, Vivanza e Helleva são vasodilatadores e agem relaxando a
musculatura peniana. Com isso entra mais sangue e facilita o desempenho do
órgão. Todos eles são eficientes.
- Eu
sei.
- Tão
eficientes que o laboratório Eli Lilly, imaginando tratar o distúrbio como uma
doença crônica a ser medicada todo dia, lançou a versão: Cialis em dose diária.
Droga destinada àqueles que não querem fazer sexo com hora marcada.
- Bom.
-
Estima-se que a disfunção erétil atinge, em algum grau, cerca de 50% dos homens
entre 40 e 70 anos, principalmente, quando acometidos por doenças que afetam a
circulação do sangue no corpo. É o caso da hipertensão, obesidade, diabete e
colesterol. Principais responsáveis pela disfunção, mesmo com a libido e o
desejo nas alturas.
Xavier
surpreso:
-
Sinal que tem mais gente precisando deles que a gente imagina.
-
Pelas pesquisas, 62% dos homens a partir dos 40 anos usam remédio antes de uma
relação. E mais: 69% deles são casados.
-
Tudo isso?
-
Nada menos. Portanto, o sucesso dos anti-impotência é merecido.
-
Iche!...
- Na
maioria são casos reversíveis. Só tratar.
- E
quando nem os ‘viagras’ da vida resolvem?
-
Também tem jeito: prótese ou injeção intracavernosa, como Cervejet e Aplicav.
- Caracas!
- O
corpo humano, Joaquim José, é uma máquina que tem seus desgastes com o passar
dos anos. Aqueles que, desde a juventude, deram pouco valor à qualidade de vida,
mais tarde pagam caro pelo descuido.
- Meu
caso.
- O
importante é ser coerente com a idade e deixe de querer que tudo funcione como
aos 20 anos.
-
Certo.
- Dos pacientes em meu consultório, ao contrário do
que se pensa, grande maioria deles não pensa em se tornar um atleta sexual
novamente. Nada disso. A intenção é apenas satisfazer a si e a companheira.
-
Doutor, posso fazer uma pergunta indiscreta?
-
Sim.
- Um
profissional com mais de cinquenta anos que receita remédios para disfunção
também faz uso deles?
-
Claro. Agora, toma a guia de pedido dos exames de laboratório.
E
sorrindo para o paciente:
-
Para quem tem essa idade ou mais, deve dominar as forças negativas e nelas
colocar arreios. Podem elas funcionar em seu benefício. Entende?
-
Cinquenta anos?!... Lembrei de uma entrevista com o escritor Zeunir Ventura,
que disse:... Para alguém que tem 50 anos, transar é transar um pouquinho,
parar, recomeçar, recolocar, se beijar...
- Sexo,
para ser bom precisa ser feito com o corpo todo, inclusive o cérebro. Zuenir
está certo.
-
Então, continuo tomando sildenafila?
- Por
enquanto, sim: meio comprimido de 50. Dá mais confiança, não é mesmo? Evite
tomar o medicamento depois de um almoço farto para não dificultar a absorção
pelo organismo. Lembre-se que álcool também não combina com os anti-impotência.
-
Tudo bem.
-
Cuide-se.
-
Sim.
-
Bem. Aguardo os exames, vai sossegado – encerra o médico.
-
Obrigado, doutor.
-
Passar bem.
• FBN© 2007 PRAZER DIÁRIO COM CIALIS -
Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Crônica - Texto original em
português: http://www.wattpad.com/story/6613090-prazer-di%C3%A1rio-com-cialis
- Ilust. Internet - http://contosecronicasgerais.blogspot.com.br/2012/05/editar_9094.html
* Obra de ficção (qualquer semelhança com pessoas,
fatos ou situações reais, terá sido mera coincidência.
* Fontes: Corpo médico da Urológica/BH, Laboratórios Eli
Lilly (Cialis), Pfizer (Viagra), Bayer (Levitra).
