terça-feira, 8 de maio de 2012

* PRAZER DIÁRIO COM CIALIS


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                                                                                Imagem Internet

                                                                       Welington Almeida Pinto




- Bom dia.

- Bom dia, doutor.

- Xavier Joaquim José da Silva?

- Sim.

- Senta-se, por favor – pede o médico.

- Obrigado.

- Quantos anos você tem?

- 58.

- Profissão?

- Dentista de profissão. Cronista de vocação.

- Casado?

- Separado.

- Há quanto tempo?

- Quase um ano.

- Quantos filhos?

- Três. Todos adultos.

- Como foi o processo de separação?

- Meio..., meio..., meio traumático. Como quase toda separação matrimonial.

- E agora?

- Os filhos se aproximam aos poucos.

- Fuma?

- Não.

- Bebe?

- Pouco. Socialmente.

- Toma algum remédio controlado?

- Enalapril.

- Que dosagem?

- Vinte miligramas.

- Ótimo. Tem companheira estável?

- Sim.

- Qual a idade dela?

-  Pouco mais nova do que eu.

- Ótimo. Apaixonados? – brinca o andrologista.

- Paixão madura.

- Isso é bom, a motivação torna mais consciente. É mais definida, colorida e poetizada. Não é menor em magnitude, quase silenciosa. Sabe o que faz.

- Sim.

- Abraços e beijos devem fazer parte de uma relação amorosa em qualquer idade.

- Claro.

- Como a pele é o maior instrumento de conexão entre seres humanos, tudo que ela manda ao cérebro ele percebe e passa a ter um sistema de recompensa mais ativo. Entende?

- Sim.

- Por isso mesmo, abraçar e beijar nas preliminares nunca é demais...

- Ã-hã!

- Muito bem, muito bem, o que mais o preocupa?

- Dificuldades em manter ereção.

- Há quanto tempo?

- De uns tempos para cá.

- Nada fora do normal. A partir dos 50 anos, em muitos casos, ocorre a diminuição da resposta sexual em homem e mulheres. Faz parte.

- Muito cedo, não?

- Talvez. Bom saber que, quando esse órgão deixa de funcionar bem, provavelmente, existe um fator físico por traz do problema. Para a ciência o desempenho sexual de um indivíduo é bom termômetro para avaliar como anda a saúde do homem.

- Sério?

- Cada dia, mais estudos sobre a sexualidade e seu impacto em outras dimensões vitais do ser humano são apresentados pela Organização Mundial de Saúde.

- Entendo. Meu caso, doutor?

- É o que vamos ver.

- Me preocupa. Ainda sou daqueles que pensam que, entre duas almas de gêneros diferentes, a ponte que liga a relação é um falo bem ativo.

- Não é bem assim. Numa relação amorosa a ponte que liga pode e deve ser a do companheirismo, do carinho e, principalmente, do amor amigo. Entende?

- Tem sentido.

- Disfunção erétil, ejaculação precoce, dificuldade em segurar a liberação do sêmem, representam 40% das queixas de homens entre vinte e quarenta anos.

- Como assim?

- Problemas vasculares são os primeiros sintomas que levam a perda de qualidade de ereção ou ejaculação precoce. Portanto, tratar da disfunção sem pesquisar suas causas pode camuflar questões mais sérias. Entende?

- Claro.

- Primeira consulta com um Andrologista?

- Sim.

- Muito bem. Muito bem.

- Tem a ver com o psicológico?

O médico fecha o sorriso:

- Cada caso é um caso. Fluoxetina, Paroxetina, Clrorimipramina, entre outros remédios receitados contra depressão, que muitos urologistas indicam em doses menores para tratamento de ejaculação precoce, eu não aconselho de imediato. Primeiro, temos que investigar e avaliar bem o estado do paciente.

- Sim.

- São pílulas que provocam a diminuição da libido, aumentando o período entre a excitação e a ejaculação para alguns minutos a mais de prazer.

- Ah, é?

- Os efeitos colaterais são muitos. Entre eles secura na boca, sonolência, insônia, tremores, náuseas, alucinações, oscilações do humor, dor de cabeça, rinite, vermelhidão facial, azia e por aí vai. Se puder evitar, melhor.

- Vixe!

- Preocupe não. Vamos fazer o melhor para recuperar seu bem-estar com medicamentos específicos. Isto é, na dose certa.

Pausa. Xavier com ar de ansiedade:

- Viagra?

- Se for o caso, sim. Já fez uso de alguma droga anti-impotência?

- Sim.

- E aí?

- Tomo meio comprimido de cinquenta miligramas do azulzinho.

- E aí?

- A resposta é boa.

- Ótimo. Nada de errado em um homem recorrer à química para melhorar seu desempenho numa hora dessas. Não quero dizer que deva fazer uso da droga sem acompanhamento de um clínico. Nunca.

- Certo.

O médico tira os óculos.

- Cialis, Viagra, Vivanza e Helleva são vasodilatadores e agem relaxando a musculatura peniana. Com isso entra mais sangue e facilita o desempenho do órgão. Todos eles são eficientes.

- Eu sei.

- Tão eficientes que o laboratório Eli Lilly, imaginando tratar o distúrbio como uma doença crônica a ser medicada todo dia, lançou a versão: Cialis em dose diária. Droga destinada àqueles que não querem fazer sexo com hora marcada.

- Bom.

- Estima-se que a disfunção erétil atinge, em algum grau, cerca de 50% dos homens entre 40 e 70 anos, principalmente, quando acometidos por doenças que afetam a circulação do sangue no corpo. É o caso da hipertensão, obesidade, diabete e colesterol. Principais responsáveis pela disfunção, mesmo com a libido e o desejo nas alturas.

Xavier surpreso:

- Sinal que tem mais gente precisando deles que a gente imagina.

- Pelas pesquisas, 62% dos homens a partir dos 40 anos usam remédio antes de uma relação. E mais: 69% deles são casados.

- Tudo isso?

- Nada menos. Portanto, o sucesso dos anti-impotência é merecido.

- Iche!...

- Na maioria são casos reversíveis. Só tratar.

- E quando nem os ‘viagras’ da vida resolvem?

- Também tem jeito: prótese ou injeção intracavernosa, como Cervejet e Aplicav.

- Caracas!

- O corpo humano, Joaquim José, é uma máquina que tem seus desgastes com o passar dos anos. Aqueles que, desde a juventude, deram pouco valor à qualidade de vida, mais tarde pagam caro pelo descuido.

- Meu caso.

- O importante é ser coerente com a idade e deixe de querer que tudo funcione como aos 20 anos.

- Certo.

- Dos pacientes em meu consultório, ao contrário do que se pensa, grande maioria deles não pensa em se tornar um atleta sexual novamente. Nada disso. A intenção é apenas satisfazer a si e a companheira.

- Doutor, posso fazer uma pergunta indiscreta?

- Sim.

- Um profissional com mais de cinquenta anos que receita remédios para disfunção também faz uso deles?

- Claro. Agora, toma a guia de pedido dos exames de laboratório.

E sorrindo para o paciente:

- Para quem tem essa idade ou mais, deve dominar as forças negativas e nelas colocar arreios. Podem elas funcionar em seu benefício. Entende?

- Cinquenta anos?!... Lembrei de uma entrevista com o escritor Zeunir Ventura, que disse:... Para alguém que tem 50 anos, transar é transar um pouquinho, parar, recomeçar, recolocar, se beijar...

- Sexo, para ser bom precisa ser feito com o corpo todo, inclusive o cérebro. Zuenir está certo.

- Então, continuo tomando sildenafila?

- Por enquanto, sim: meio comprimido de 50. Dá mais confiança, não é mesmo? Evite tomar o medicamento depois de um almoço farto para não dificultar a absorção pelo organismo. Lembre-se que álcool também não combina com os anti-impotência.

- Tudo bem.

- Cuide-se.

- Sim.

- Bem. Aguardo os exames, vai sossegado – encerra o médico.

- Obrigado, doutor.

- Passar bem.

 

• FBN© 2007 PRAZER DIÁRIO COM CIALIS - Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Crônica - Texto original em português: http://www.wattpad.com/story/6613090-prazer-di%C3%A1rio-com-cialis - Ilust. Internet - http://contosecronicasgerais.blogspot.com.br/2012/05/editar_9094.html

* Obra de ficção (qualquer semelhança com pessoas, fatos ou situações reais, terá sido mera coincidência.

* Fontes: Corpo médico da Urológica/BH, Laboratórios Eli Lilly (Cialis), Pfizer (Viagra), Bayer (Levitra).